Texto para matéria sobre Rico Lins (link em breve)
Os momentos de Rico Lins
De jovem designer da contracultura até cultuado artista gráfico da comunicação, Rico Lins fala a RCG sobre sua carreira, suas experiências, a influencia do dadaísmo (desconstrução da imagem) e a importância que o designer tem na comunicação.
Assim como todo poeta subversivo da época da ditadura, Rico Lins afirma que nos trabalhos gráficos “tínhamos que burlar a barreira da censura, para o trabalho poder ser impresso”. Para poder ser um poeta gráfico livre, se refugiou na Europa. Lá seu trabalho dadaísta por imposição, se tornou opção, e marca registrada de sua feliz carreira.
“Sempre tive interesse em lidar com imagem enquanto mensagem”, conta Rico Lins neste primeiro momento de sua conversa com a RCG. Seu trabalho, que mora exatamente na tênue linha entre o comercial e o conceitual, consegue, com maestria, atingir o objetivo de transmissor, não apenas reprodutor de mensagens.
Sem medir limites, Rico Lins fala sem pudores de seu trabalho, suas convicções e suas inspirações, confira este momento no vídeo exclusivo que Contém Glúten.
Parte II
Falando sobre a atualidade, Rico Lins conta a RCG sobre a mostra “Brasil em cartaz”, exibida no Ano Brasil-França 2005, a convite do Pôle Graphique de Chaumont. Ele selecionou cartazes produzidos no Brasil a partir dos anos 50.
A mostra foi importante para unir o passado e o presente das artes gráficas, além de colocar o Brasil em evidência, com trabalhos de grande importância histórica. “Eu tinha o desejo de fazer um trabalho em cima do cartaz, que é uma mídia que sempre gostei”, fala Rico Lins, neste segundo momento de sua conversa.
Sempre fazendo a ponte entre o “analógico e o digital”, Rico Lins enaltece o passado através de trabalhos contemporâneos, feitos com ferramentas antigas. O cartaz não foge disso e, se para muitos uma mídia obsoleta, para Rico Lins, o cartaz é uma forma de registro que “conduz a uma possibilidade de experimentação muito maior”.
Sem fazer profecias para o futuro, o discurso de Rico Lins é consciente quanto às artes gráficas contemporâneas. Se aproveita do passado, para poder dizer o que quer, como quer. O lambe-lambe, quase nada comercial, virou uma forma de expressão, um mensageiro, do que quer que seja.